Pintura e Citação


Beatriz Milhazes - suculentas

Desde que a pintura “voltou” ao mercado na década de 1980, depois de um longo silêncio que durou cerca de 20 anos, podems observar que uma das características mais fascinantes da pintura contemporânea é a citação. Ou seja, o assunto da pintura deixa de ser o próprio meio e passa a ser o que foi dito antes. Em alguns aspectos a pintura continua sendo auto-referente, continua fazendo metalinguagem, mas de forma bem diversa da pintura moderna. Até porque a citação na pintura não ocorre apenas dentro do universo dela mesma, ela começa a citar tudo que foi produto cultural do passado, sério ou não. Aliás, a piada é outro recurso da pintura atual!

Mas sem mudar de assunto, vamos dar uma volta pela pintura contemporânea e observa o contexto das citações:

Tanto na Transvanguarda como no Novo Expressionismo a produção pictórica mostrou-se uma releitura da pintura moderna, sem contudo supervalorizar o aspecto midiático, colocando em evidencia fatos mais subjetivos, elementos mais emotivos, políticos e sociais. A pintura não tem uma cara tão nova mas trás consigo o elemento da literatura outra vez, aquele sub texto narrativo que a modernidade tentou erradicar.

 
Francesco Clemente


Francesco Clemente


Enzo Cucchi: Musica Ebbra, 1982


Cucchi, Enzo Sul marciapiede durante la festa dei cani, 1979


Baselitz

A Pintura a partir deste retorno midiático na década de 1980 tem se desenvolvido gloriosamente apesar do pós-midia na arte, ou seja, da suposta não valorização de um meio sobre outro na prática artística atual.
Um exemplo interessante de como a pintura tem se saído muito bem é a comparação de sua exposição em feiras e exposições internacionais. Ela continua ali, soberba. Mesmo no caso de sua ausencia na última edição da Bienal de São Paulo (mas afinal era a Bienla do vazio!). E o que dizer de sua aparição sublime em várias feiras de arte contemporânea como ArteBA (Buenos Aires, maio 2009). Claro que pode-se argumentar que as feiras de arte são organizadas por galerias e tem fins lucrativos como primeira instancia, e a pintura, que nunca deixa de ser um bom negócio, é a grande vedete destes eventos. Porém, vivemos um momento na arte contemporânea que o design, a publicidade, a moda, a religião, o produto de massa, a pornografia, tudo pode ser arte ou elemento da arte, então eu pergunto, qual a diferença da feira para a exposição internacional?


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